O Homem Que Fazia Chover – John Grisham

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Sinopse: O protagonista Rudy Baylor é um jovem advogado recém-formado que presta serviços a grupos de terceira idade. É assim que conhece o casal de idosos Dot e Buddy Black, cujo filho, Don Ray, está com leucemia terminal. Seu tratamento foi recusado pelo seguro de saúde da poderosa Great Benefit. Rudy insiste para que o casal acione a seguradora. E a partir desta causa percebe os indícios de uma gigantesca fraude, talvez a maior na área de saúde, na história dos Estados Unidos. Rudy Baylor briga com criminosos poderosos e põe sua vida em perigo. O leitor brasileiro, que já foi lesado ou humilhado por dragões dos seguros de saúde, sente disparar o coração na torcida em favor de Rudy Baylor.

Ano: 1995

Páginas: 582

Editora: Rocco

Comentário:

Li esse a pouco tempo mas já considero um dos livros da minha vida.

Na parte inicial do livro, quando Rudy ainda é um estudante de Direito, batalhando para conseguir um emprego e a aprovação na Ordem dos Advogados, não há estudante de Direito, como eu, que não se identifique com várias passagens e pensamentos do personagem.

Estou indo pro último ano da faculdade em 2017, e até então, achava que essa sensação de não saber nada mesmo quase graduada, era exclusividade minha, mas não é. Todos os estudantes que não tenham contato com processos fora da faculdade, não tem a menor noção de como de fato funcionam as coisas. É apenas teoria, e nenhuma maneira de aplicá-la na vida real. Assim como Rudy, ainda não me sinto nem perto de estar pronta para “ser solta na sociedade com o poder de levar adiante um processo.”

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Rudy exerce a “advocacia” pela primeira vez durante a faculdade, quando de uma visita com um professor em uma espécie de centro recreativo para idosos. Lá faz o primeiro contato com uma senhora secretamente milionária, e também com um casal que desejava que a apólice de seguro, que pagaram com tanto afinco, cobrisse as despesas de seu filho que morria de leucemia.

Logo de cara, outra passagem que nos chama a atenção é essa:

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Esse livro, escrito em 1995 por um americano, nos relata a saturação de profissionais do Direito, que é também uma realidade do Brasil. O livro denuncia principalmente a enorme quantidade de advogados desonestos, que não praticam a profissão de forma ética, sendo o maior exemplo trazido a captação ilegal de clientes em cenas de acidentes, hospitais. Momentos em que o cliente nem havia pensado em procurar um advogado, mas como ele está ali “se oferecendo”, prometendo a vitória e dinheiro fácil, acaba conquistando-o facilmente.

Ao meu ver, passa uma ideia pessimista da advocacia em geral. Não apenas da falta de ética, como também da vida dos advogados corretos – que mesmo sendo bem sucedidos de forma legal, ganhando dinheiro limpo, na minha concepção não me parecem ter uma rotina compensadora, vivendo em ambientes de alta tensão e estresse. Esse dia-a-dia do advogado não me atrai, e pelo que é contado no livro, apenas reforçou a minha opinião.

Entrei no Direito pensando em lutar contra as injustiças, e não tenho a mínima vontade de passar a vida mexendo com divórcios, inventários, contratos, ou seja, resolvendo os problemas dos outros. Claro que alguém precisa fazer isso. Mas eu não gostaria de passar a vida resolvendo problemas que não são meus, e talvez seja o motivo de eu não querer em hipótese alguma ser advogada. Isso nunca me faria feliz.

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Divagações à parte, voltemos ao livro: A sorte sorri para Rudy quando, logo em seu primeiro caso, um processo contra a Seguradora Great Benefit, morre o juiz designado ao seu caso, um juiz famoso por sempre julgar os casos conforme as suas convicções, ou seja, sempre a favor das seguradoras. O jogo vira em favor de Rudy. Conforme a narrativa vai se desenvolvendo ficamos por dentro do que acontece nos tribunais americanos. Paralelamente, Rudy conhece Kelly, uma jovem que sofre violência doméstica pelo marido, eles acabam se envolvendo amorosamente e ele faz de tudo para tirá-la do inferno o qual ela vive.

No mais, esse é um clássico romance jurídico de John Grisham, onde abordam-se também assuntos como captação ilegal de clientes e outras condutas antiéticas no exercício da advocacia. Claro que a parte que mais gostei foi o início, que achei de grande valia para estudantes de Direito indecisos e inconformados com o curso como eu. O sentimento é normal e não estamos sozinhos.  🙂

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