Dias Perfeitos – Raphael Montes

Estava eu com uma matéria atrasada no curso chamada Leitura e Produção de Textos (consequências de se ter trocado de faculdade). Consegui encaixar a dita matéria com um professor que já me havia dado aula, por poucos meses, na sétima série. Eu lembrei que amava as aulas dele e me matriculei na turma, que mesclava alunos de Administração e Ciências Contábeis. Nunca me senti tão perdida na vida.

Logo no primeiro dia conversei com o professor sobre o fato de já ter tido aula com ele, disse que eu havia escrito um livro e ficaria feliz se ele o lesse. A recíproca dele foi muito boa, me elogiou, disse que a história era bem construída, pediu quando saía o próximo. Disse que conhecia um jovem autor chamado Raphael Montes, do mesmo gênero, e que eu iria gostar! E então me emprestou esse livro, que pela capa eu imaginava ser um romance fofinho ou algo assim. raphaelmontes

Foi aí que parei de julgar os livros pela capa. Dias Perfeitos passa longe de ser um livro fofinho, e provavelmente é um dos mais perturbadores que já li.

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Ano: 2014

Páginas: 280

Editora: Companhia das Letras

Comentários:

O protagonista, Téo, é um estudante de medicina, esquisitão, sem amigos – ou quase, já que ele constrói uma relação de amizade com o cadáver da aula de anatomia. Certo dia, acompanha a mãe em um churrasco, onde conhece Clarice, que sonha em ser roteirista de cinema. Clarice é uma pessoa extrovertida que conversa e faz amizade facilmente com qualquer pessoa. Conversam poucos minutos, e ao ir embora ela lhe dá um beijo de despedida, para ela uma atitude despreocupada e sem significado.

Téo porém, fica vidrado em Clarice. Ele a persegue pelo telefone, na faculdade, no parque… E fica enfurecido quando a vê beijando outra menina, caindo bêbada pela rua… Isso o leva a atitudes perversas, como sequestro e cárcere privado. Por ser estudante de medicina, ele possui acesso a certos medicamentos, que administra com uma seringa para domar Clarice. Ele à mantém presa em uma mala enquanto a leva para diferentes lugares, dando à família a desculpa de que ela está em uma espécie de retiro criativo, para terminar de escrever o seu roteiro.

A narração da história se dá em terceira pessoa, mas uma terceira pessoa que só tem “acesso” ao ponto de vista de Téo, e que conta os fatos tal como ele os sente. O que mais incomoda e ao mesmo tempo é mais interessante no livro é que para Téo não há problemas nas suas atitudes extremas. Para ele está tudo normal, ele acredita que sequestrar a menina e injetar drogas nela faz parte de todo um processo onde, no fim, ela irá se apaixonar por ele.

Esse livro me tirou do marasmo literário em que me encontrei no ano passado, onde li apenas doze livros. Demorava muito em cada um, não ia para a frente… Mas quando peguei Dias Perfeitos, só não o li inteiro no mesmo dia porque não tive tempo. Além disso, esse livro foi meu incentivador para voltar a escrever, pois me identifiquei muito com o autor, que além de muito jovem, escreveu o romance durante a Faculdade de Direito.

O livro prende o leitor de uma maneira surreal, pois além da curiosidade pelo que virá na próxima página, também existe o asco pelas atitudes do personagem, e ansiamos por algum descuido de Téo e com a fuga de Clarice… Tudo isso com um fim completamente inesperado.

 E você, já leu Dias Perfeitos? Conta pra mim nos comentários! 😉

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Um comentário sobre “Dias Perfeitos – Raphael Montes

  1. A Bettina me surpreendeu positivamente ao criar este blog. Aquela menininha que foi minha aluna na escola Garra já trazia a semente da paixão literária, mas só fui saber disso quando ela voltou a ser minha aluna na UPF e me presenteou com SOB O CÉU DE LONDRES, seu livro de estreia que projeta um potencial promissor de escritora. É maravilhoso ver jovens como a Bettina defendendo a bandeira da leitura literária em um mundo que cada vez mais ameaça nos roubar o tempo com atividades não tão nobres, nem tão desafiadoras ou gratificantes quanto esta. Parabéns Bettina! Nossos dias não são perfeitos, mas é preciso lutar para que sejam melhores… Grande abraço!

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