O Sol é Para Todos – Harper Lee

Já que o último dia 19/02 foi marcado pela notícia do falecimento da autora Harper Lee, resolvi fazer esse post para homenageá-la!

Não sei muito bem como cheguei a esse livro. Minha mãe tem ele há muito tempo, pelo menos trinta anos, e não sei por qual motivo resolvi ler. Foi meu companheiro de final de semestre em junho do ano passado, quando eu ia para a faculdade lendo no ônibus, em vez de estudar para as provas. :/

Creio que o que me levou a esse livro foi o de sempre: a história versa sobre um crime, há advogados, tribunais. Mas esse não é só mais um livro sobre advocacia.

Sinopse: Acompanhando três anos da vida dos jovens Jem e Scout Fincher numa terra de profundo preconceito racial, a história é pontuada pelo caso de um homem negro injustamente acusado do estupro de uma garota branca numa pequena cidade do Alabama.
Scout, a narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Fincher, designado a defender Tom Robinson – acusado de estupro. Sobre esse pano de fundo, por meio de uma narrativa divertida e precisa, as duas crianças e seu amigo Dill passam a conhecer o estranho mundo em que vivem, encontram personagens inesquecíveis (Calpúrnia, Dolphus Raymond e, especialmente, o recluso Boo Radley) e descobrem os significados de palavras como respeito e tolerância.
Retrato fiel do terreno sulista norte-americano no início dos anos 1930, foi eleito pelo americano Librarian Journal o melhor romance do século XX.

Ano: 1960

Páginas: 317

Editora: Círculo do Livro

harperlee

Comentários:

Esse livro é um clássico da literatura americana desde sua publicação em 1960, rendendo à autora o Prêmio Pulitzer, e dando origem logo em seguida, em 1962, a um filme vencedor de um Óscar.

A história é narrada na visão de Jean Louise, mais conhecida como Scout, uma garotinha de seis anos, filha do advogado Atticus Finch. Também fazem parte do cenário seu irmão mais velho Jem e a governanta Calpúrnia.

Ambientado em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, no início da década de 1930, em um primeiro momento o livro foca nas traquinagens que as crianças faziam, inclusive incomodar um vizinho recluso. Pela narrativa de Scout imaginamos tal como um homem maldoso, quando na verdade essa é apenas a visão de uma criança novinha, que ainda não compreende as pessoas e as diferenças.

Ainda na primeira parte da história, há uma espécie de retrato da sociedade da época, apresentando seus preconceitos e tradicionalismos, e principalmente a pobreza que essas pequenas comunidades rurais enfrentavam.

Um momento que já chama a atenção logo no início é quando Scout pergunta ao pai porque tantas pessoas lhe trazem milho e outros alimentos. Ele responde que esse é o único jeito que elas tem para pagá-lo. Enquanto ele explica, dá para sentir que ele não se sente muito bem com isso, e preferia apenas ajudar as pessoas sem ganhar nada em troca, mas elas insistiam em pagar-lhe como podiam.

A história muda de rumo quando Atticus é designado para defender um negro acusado injustamente de estupro. Cabe lembrar o racismo que até pouco tempo ainda estava enraizado no sul estadunidense, sendo que nenhuma defesa poderia inocentá-lo, por conta apenas de sua cor.

Outra passagem marcante, quando Scout pergunta ao pai porque ele defende um caso ao qual todos repudiam:

“Por várias razões. Principalmente porque se não fizer isso, não poderei andar de cabeça erguida, não poderei representar o município na Câmara, não poderei nem mesmo dizer a você e a Jem que façam o que eu mandei. (…) Porque eu não poderia exigir que me obedecessem. Scout, pela própria natureza da profissão, todo advogado enfrenta pelo menos uma vez na vida um caso que o afeta pessoalmente. Acho que este é o meu. Se ouvir coisas ofensivas a meu respeito na escola, quero que me prometa uma coisa: você vai manter a cabeça erguida e os punhos abaixados”.

Atticus Finch certamente é um dos maiores personagens literários que existem, um pai e profissional exemplar, que acima de tudo, luta pelo que julga ser o correto.

Também é impossível passar por essa história sem sensibilizar-se, principalmente quando se pode ver claramente que o réu não cometeu o delito, quando as testemunhas se contradizem o tempo todo e as histórias não fecham. Juridicamente falando, não há como perder aquele caso. Mas o preconceito do júri fala mais alto.

harperlee2

Finalmente, terminei esse livro tendo a certeza de que o que eu quero para o meu futuro profissional é contribuir para que não hajam injustiças, ou pelo menos, para minimizá-las.

“Ainda que tenhamos perdido antes mesmo de começar, não significa que não devamos tentar.”

E você, já leu esse livro ou assistiu ao filme? Diz nos comentários o que achou! 😉

Anúncios

Um comentário sobre “O Sol é Para Todos – Harper Lee

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s